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O pobre uso da Educação Física cosmética

Qual a diferença da Educação Física e de um creme para perder gordura da barriga?

Por Yuri Motoyama

Hoje não vou trazer aqui nenhuma discussão de artigo científico ou algo do meio acadêmico. Vou trazer um tema para reflexão relacionado a um fato que eu tenho observado muito durante esses últimos tempos. Para não confundirmos as coisas, quando falo Educação Física aqui estou direcionando minha atenção ao curso de bacharel que pode atuar em clubes e academias.

Por aspectos culturais, logo que pensamos em Educação Física, surge na nossa cabeça ou a imagem de um professor com uma bola cercado de alunos ou uma personal com uma prancheta ao lado de um(a) belo(a) aluno(a) fazendo um exercício. Faça esse teste, pergunte para o seu vizinho, ou para seu avô, ou para as pessoas do seu serviço qual a imagem que vem à cabeça dele ao pensar na nossa profissão. Hoje temos a Educação Física comercializada em clubes, academias e centros de treinamento. Muitas as pessoas que buscam esse serviço estão preocupadas com apenas uma coisa estética. Acredito que isso tenha toda uma influência de um passado construído desde os atores fisiculturistas da década de 70-80 até meados de 2005 quando a palavra fitness passou a ter como concorrente o termo wellness. Até esse momento o profissional de Educação Física na academia era um agente de transformações cosméticas e seu trabalho se reduzia a fazer um bíceps crescer, deixar um abdômen definido ou tornar uma pessoa mais “bonita” adequando ela aos padrões de beleza do momento. Isso é um ponto que me preocupa muito, pois temos inúmeras possibilidades de atuação com a nossa profissão e o que mais me assusta é que ainda existe um grande número de profissionais recém formados no mercado, que estão brigando por esse mercado saturado da Educação Física cosmética. Muitas vezes, quando vejo profissionais reclamando da nossa profissão eu penso: “será que a profissão está ruim, ou será que os profissionais estão dando murro em ponta de faca?”.

A Educação Física pode passar por uma revolução e ser menos cosmética com o tempo?

Eu sou muito otimista com o futuro da nossa profissão e acho que estamos passando por uma fase onde a educação física vai passar por uma nova fase. Essa nova fase vai incluir a educação física de forma imprescindível na promoção de saúde. Muitos governos (EUA, Inglaterra, Japão) já começam a pensar em formas de prevenção como estratégia para atenuar os gastos com saúde. E quando falamos de prevenção e tratamento complementar não temos para onde fugir, vamos cair sempre nas terapias que envolvem movimento. Vamos cair nas mãos de profissionais que sabem prescrever doses de movimento como os fisioterapeutas e os profissionais de educação física. Acho que saúde é um mercado latente e sedento por profissionais qualificados. Um personal que trabalhe com pacientes com câncer, um estúdio que atenda idosos com osteoporose, uma academia que desenvolve um programa para hipertensos…e por aí vai. Já são inúmeras evidências que mostram como o movimento pode ser uma excelente estratégia complementar para o tratamento de diversas doenças.

Mas por que essa grande mudança ainda não aconteceu na Educação Física?

Estamos enroscados em um ciclo vicioso. Nesse ciclo ainda temos pessoas ingressando na faculdade de educação física sem ter noção no terreno que estão entrando. Ainda temos estudantes influenciados pelos blogueiros fitness, pelos cursos oferecidos com os temas “Hipertrofia em 5 passos”, “Emagreça em 15 minutos”, “Clique aqui e descubra como emagreci 252 kilos em uma semana”. Ainda temos profissionais de educação física que tem preguiça de ler um texto de uma página (muitos não vão conseguir nem terminar de ler essa postagem). E para essa mudança que estou falando acontecer, vamos precisar de profissionais que leiam pelo menos um artigo por dia! Que se aventurem na leitura em inglês! Que saibam usar uma base de dados científicas. Só assim teremos uma maior exposição na mídia, só assim teremos outras pessoas vendo que podem contratar nossos serviços para objetivos além dos objetivos cosméticos, só assim nosso serviço será valorizado! Enquanto nosso serviço oferecer a mesma coisa que um creme para ser passado na barriga, não vamos sair do lugar.

Então meu amigo, professor ou estudante que está lendo isso, essa mudança depende de você! Estude, a Educação Física está longe de ter suas possibilidades de atuação profissional saturada. Pare de reclamar, levante a cabeça em meio aos mortos e feridos e veja o que você pode fazer de diferente!

Retrospectiva do blog 4×15 em 2016: recados e curiosidades

Por Yuri Motoyama

Antes de mais nada, nós da equipe gostaríamos de desejar um bom ano de 2017 e que nesse ano possamos contribuir muito juntos para a profissão Educação Física!

Vou aproveitar essa primeira postagem do ano para dar alguns recados importantes sobre algumas mudanças que estão por vir. Quem assina o conteúdo do blog já recebeu quase tudo de antemão, quem não assina pode optar pela assinatura aqui do lado direito da tela na opção assine o 4×15 (eu prometo que não enviaremos mais que um e-mail por mês! rs).

Sobre as mudanças no blog

As mudanças que estamos planejando vão afetar mais os nossos ouvintes do podcast. E se você não sabe o que podcast significa você faz parte de uma boa parcela que ainda está perdendo a cereja do bolo do nosso conteúdo (rs).

Sente confortavelmente, coloque seus fones de ouvido e clique aqui para ouvir um exemplo do que é um podcast!
  1. Teremos mudança na identidade visual do site e provavelmente no nome do blog. Por isso se você assina o nosso feed pode ter problemas quando voltarmos com nossos conteúdos em áudio. Recomendamos você manter contato conosco através da nossa fanpage (clique aqui para acessar e curtir) para poder ficar sabendo das alterações;
  2. Agora oficialmente somos em 4 integrantes, Yuri Motoyama, Gilmar Esteves, Fábio Rocha e Douglas Jandoza. Então, aguardem mais matérias, revisões de artigos e reviews interessantes sempre voltados para treinamento e saúde;
  3. Nosso endereço vai mudar (pois teremos pequenas alterações no nome do glob), mas criaremos uma página de redirecionamento nos primeiros meses;

Sobre as mudanças do podcast

  1. Teremos um conteúdo extra, será um podcast com duração entre 10 à 15 minutos onde responderemos perguntas voltadas para saúde e treinamento. Fomos inspirados por um excelente podcast nesse mesmo formato, porém com perguntas abrangentes, chamado Naruhodo. Convido vocês a ouvirem clicando aqui.
  2. Estamos viabilizando podcasts temáticos, como um episódio piloto que está para sair sobre Fisiologia do Exercício.  Para isso estamos vendo parcerias com editoras de livros para podermos sortear edições para vocês.
  3. Gostaríamos muito da participação de vocês nos escrevendo e também participando das campanhas que iremos promover. Esse ano vamos precisar muito mais da sua ajuda!
Você pode começar o ano nos ajudando respondendo essa pesquisa! Basta clicar aqui e responder, é rapidinho!

Dados curiosos sobre o blog em 2016

  • Em 2016 tivemos 251.331 visualizações no site, sendo que esse número foi 249.123 em 2015 e 55.679 em 2014;
  • A página mais acessada foi uma postagem sobre hipertrofia e anti-inflamatório com 37.859 visualizações (clique aqui para ver a postagem) e em segundo lugar 6 coisas que você precisa saber depois da faculdade de Educação Física (clique aqui para ver a postagem) com 14.032 visualizações;
  • Os termos mais procurados no google que acabaram chegando no nosso blog foi em primeiro lugar “4×15”, sem segundo lugar “dor muscular tardia” e em terceiro lugar “pullover”.
  • Em 2016 tivemos 63.224 downloads de podcasts com o primeiro lugar para o episódio 48 – Anabolizantes naturais (clique para ouvir); em segundo lugar o episódio 43 – Estratégias nutricionais para prevenção do câncer (clique aqui para ouvir) e em terceiro lugar o episódio 58 – com a entrevista com a psicóloga que trabalha com emagrecimento Dra. Mara Lofrano (clique aqui para ouvir);

É isso pessoal! Espero que continuem conosco em 2017 para podermos trazer mais conteúdo relevante e conseguir cada vez mais popularizar a ciência aplicada ao treinamento e à saúde.

Abraços!

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Conheça Solos, os óculos inteligentes para ciclistas

Olá, pessoal!

Quem vos escreve é o Jandoza e, a partir de hoje, além de já ser integrante do Podcast 4×15, também serei colunista do site e publicarei matérias e reviews principalmente sobre treinamento de endurance e tecnologia.

Vamos começar falando de uma novidade apresentada na CES 2016 (Consumer Electronics Show – uma feira internacional de tecnologia): o Solos, um smartglass para ciclistas.

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Fonte: https://ksr-ugc.imgix.net/assets/011/250/472/099b4eb391664b705f796a1ba13c4130_original.gif?w=680&fit=max&v=1463620475&q=92&s=6c810376788184ec5bd8af54667c2891

Os óculos pesam 65 gramas (contra 25g em média de óculos de ciclismo tradicionais), o que é aceitável por conta de possuir bateria, circuitos e display, e recebem informações através seu smartphone ou de sensores que você tenha instalado na bike (ou esteja vestindo) tais como cadência, potência ou frequência cardíaca, através dos protocolos ANT+ e Bluetooth. Os óculos em si não possuem sensores próprios.

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O aplicativo dos óculos, que funciona como “central de controle”.

Quais as aplicações desse Smartglass?

É possível configurar através do aplicativo uma infinidade de visualizações diferentes, exatamente como já fazemos com nossos gadgets atuais.

Graças a magia de estar próximo aos olhos, o visor através das lentes parece 3x maior do que quando você olha para o seu ciclocomputador ou GPS de pulso, que geralmente está a distância do seu braço estendido. Para que isso não obstrua a sua visão do percurso (o que seria péssimo caso você queira se manter vivo), o visor conta com ajuste de altura flexível. O visor, segundo o fabricante, também é claro o suficiente para ser usado até em dias de sol forte sem que o mesmo fique “apagado” pela luz externa.

A duração da bateria é divulgada como sendo de 6 horas e os óculos ainda possuem microfones e alto-falantes duplos externos, permitindo ouvir informações sobre os indicadores ou atender chamadas (ideia não muito boa para quem pedala na estrada E no Brasil) enquanto pedala, sem obstruir os sons do ambiente externo.

Quanto a personalização, os óculos oferecem lentes intercambiáveis para que seja possível usar as transparentes para um pedal noturno, por exemplo.

Os óculos em prática

Os óculos também foram testados pelo time olímpico de ciclismo de pista Norte-Americano (US Cycling) nas Olimpíadas Rio 2016 durante os treinos e já estão em fase final de produção, tendo sua entrega prevista para o final deste ano aos apoiadores do projeto no Kickstarter, onde tudo começou.

Para quem quiser ter um desses, o preço de pré-venda é de $499, através desse site.

O post foi dica da nossa ouvinte e amiga Ana Andrade.

P.S.: Como sempre, já existem “espertos” anunciando os óculos no Brasil, pedindo um precinho camarada que daria para ir aos EUA, passar uns dias em Orlando se divertindo e voltar ao Brasil COM os óculos comprados lá. E quem sabe um iPhone. Tsc, Tsc.

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Por que o TCC se torna um monstro no final do curso de Educação Física?

Por Yuri Motoyama

Para a maior parte dos graduandos o TCC é uma inacreditável dor de cabeça e existem alguns pontos que contribuem para que esse momento crucial da graduação seja tão sofrido. Em primeiro lugar sabemos que é a reta final do curso e muitas vezes o formando já está com a cabeça cheia, porém, temos um problema muito maior que é a falta de preparo que a maioria dos cursos oferecem para esse momento e a falta de interesse do próprio aluno.

Como é e como deveria ser um TCC no final de uma graduação em Educação Física

Já parou para imaginar para que serve a faculdade? Quando você se gradua no ensino superior e se torna um profissional, um dos pontos principais para sua formação são trabalhar baseado em fatos e seguindo uma linha lógica de raciocínio para solucionar problemas. Na minha opinião, para que isso seja feito com perfeição as graduações e os professores envolvidos deveriam se preocupar (antes das disciplinas e conteúdos específicos básicos) em trabalhar no introduzindo os alunos no famoso pensamento científico. Disciplinas como técnicas de aprendizagem, história da ciência, lógica, método científico (conhecida como metodologia), estatística e até a temida matemática são importantes. Em alguns  cursos, nós até encontramos na grade curricular essas disciplinas, porém, se resumem a produção de textos de TCC´s ou apresentações de idéias.

O TCC é uma grande brincadeira de responder uma curiosidade! Durante os anos de graduação, você não teve nenhuma disciplina que te encantou? Então, nessa disciplina não surgiu alguma pergunta que te incomodou tanto a ponto de fazer você pesquisar?

Está aí! Esse seria um bom tema para seu TCC!

A graduação deve ser um momento para você ingressar no mundo acadêmico e mesmo que você não queria trabalhar com pesquisa, ou seguir a vida acadêmica, você deve entender como isso funciona! Se você acha preciosismo da minha parte, espere para receber o serviço prestado de um profissional que levou a graduação nas coxas, fez um TCC copiado de uma página na internet (ou comprado) e saiu para o mercado de trabalho sem sequer saber onde procurar um artigo da sua área. É bem sinistro mas existem MILHARES de profissionais a solta por aí com essa descrição cuidando de você, da sua esposa, da sua mãe, dos seus filhos… e cuidado esse pode ser você no final do curso!

Se você ainda está perdido na faculdade, clique aqui e ouça essas dicas!

Então, imagine que o TCC é um momento onde você vai fechar sua graduação. Você pode fechar com chave de outro ou chave de merda (desculpe a comparação mas em muitos casos é assim). Não trate seu TCC como um trabalhinho para tirar ponto ou como uma chatice burocrática para pegar o diploma. Identifique-se com o tema, seja apaixonado e curioso pela pesquisa e, POR FAVOR, não faça revisões de coisas que já não são novidade na sua área. É muito cansativo quando você pega um TCC com o tema “Efeito do exercício físico para emagrecimento”, “Efeito da musculação na hipertrofia” … é a mesma coisa que fazer um trabalho do tipo “Efeito da alimentação para matar a fome” ou “Efeito da hidratação para reduzir a sede”. Boring…

Crie perguntas interessantes e se tiver condições faça uma pesquisa da campo, saia das revisões! Não estou falando que as revisões são de ruins, já vi revisões sobre temas muito interessantes, o que estou falando é para sair do conforto da mesmice e não colocar um texto chato na biblioteca da faculdade com o seu nome impresso na capa.

“Quando voltava da escola, meus pais nunca me perguntavam o que eu aprendi, e sim, qual pergunta interessante eu fiz para o professor.”

Erik Kandel (Nobel em Fisiologia / 2000)

Como a pirataria pode mudar a forma de se distribuir conteúdo científico?

Por Yuri Motoyama

Fonte original Blog da revista Science

Vamos iniciar um debate sobre a política de acesso aberto (open access) para artigos científicos. Vou traçar um paralelo com as postagens do blog da Nature, blog da Science e o podcast da Science sobre a utilização de páginas como a famosa sci-hub para burlar o “paywall” (página de cobrança que restringe o acesso de conteúdos) das revistas de acesso fechado e baixar os artigos gratuitamente.

Antes de mais nada recomendo fortemente que você assine o feed desses blogs e do podcast (Nature e Science), pois é uma forma mais informal para se consumir conteúdo científico de qualidade.

Vou colocar uma situação hipotética aqui que representa uma simples terça feira chuvosa comum para na vida de qualquer pesquisador. Imagine que você (pesquisador) está realizando uma pesquisa pelas bases de dados para a produção teórica de um artigo. Você encontra uns 20 artigos interessantes e na hora de clicar para ver o PDF, surpresa! Um paywall na sua cara te cobrando 30 dólares pelo download do artigo. Nem vamos fazer a conversão em reais aqui para não entrarmos em depressão. Resultado da sua pesquisa: 600 dólares somente para você poder ter acesso ao conteúdo científico que será necessário no artigo que você está produzindo. Imaginando a nossa realidade, podemos ver que é impossível desembolsar esse valor. Ao mesmo tempo não podemos deixar nosso projeto de lado por conta disso, então vamos para o plano B…

Existem outras alternativas para obtermos esses artigos de acesso fechado sem precisar recorrer a meios ilegais como, por exemplo, enviar um e-mail para o autor ou pegar uma versão (pré-revisão) nessas redes sociais voltadas para pesquisadores como o Researchgate. Porém, um dia ou outro você descobre uma “alternativa” que é a utilização de um site que burla a pagina de pagamento e você consegue o acesso ao artigo.

Clique aqui e ouça nosso podcast sobre como pesquisar artigos pela internet.

Recentemente uma matéria publicada na Science com o título “Who’s downloading pirated papers? EVERYONE” mostrou os dados coletados da página sci-hub dentro de 6 meses relacionados ao número de downloads feitos de forma ilegal pelo sistema.

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Retirado do site www.sciencemag.org

O que é o famoso sci-hub que muitos pesquisadores utilizam para baixar artigos?

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Alexandra Elbakyan

A página que já causou muita polêmica entre os editores de periódicos foi criada pela estudante Alexandra Elbakyan do Cazaquistão. A estudante iniciou esse projeto a partir da frustração de não conseguir nenhum artigo para suas pesquisas, desde então ela vem brincando de “esconde-esconde” com sua página sci-hub onde através da mudança de uma parte do endereço da web ela consegue manter seu site no ar.  Uma das formas dos periódicos evitarem que seu conteúdo seja baixado de forma ilegal é bloqueando o acesso da página sci-hub para  o site, porém Elbakyan consegue passar por esse bloqueio mudando o link da página como sci-hub.io, ou sci-hub.bz, shi-hub.cc e por aí vai…

O jornalista John Bohannon, usou dados disponibilizados pela própria Elbakyan por um período de 6 meses (setembro de 2015 a fevereiro de 2016) e chegou ao número assustador de 28 milhões de artigos baixados. No final de fevereiro os números chegaram a 200.000 artigos por dia! Os periódicos mais acessados foram da editora Elsevier, Springer e o um fato curioso é a presença da revista de acesso aberto Public Library of Science (PLoS).

De acordo com o resultado dessa pesquisa 87% dos 10.839 participantes responderam que não acham errado baixar artigos “piratas” pelo sistema sci-hub. Outro fato curioso é sobre a motivação, ao perguntar qual a razão principal para utilizar esse sistema 50% disseram que fazem isso por não ter acesso aos artigos e 23% pois se opõem ao lucro que os editores tem de forma exclusiva aos autores.

O mapa abaixo mostra os países que mais utilizaram o sistema para baixar artigos. Alguns fatores influenciam nesse número como o acesso a internet e número de habitantes, porém existem alguns dados que fogem da regra como Portugal que tem um número de downloads maior do que sua população. Em mensagem pelo Twitter, o geneticista Ben Lehner respondeu à reportagem da Nature dizendo: “…as pessoas usam o sci-hub porque ele é mais rápido, simples e confiável do que as formas oficiais desajeitadas dos sites para obter os artigos”.

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Fonte www.nature.com

Como essa discussão pode afetar a distribuição de artigos?

A politica de acesso aberto vem sendo muito discutida nos últimos anos. Uma boa parte dos questionamentos vem por parte dos autores (pesquisadores) que não acham justo o processo de submissão e a transferência de direitos autorais. De forma resumida acontece da seguinte forma: quando um pesquisador termina uma pesquisa e escreve um artigo ele precisa escolher um periódico para publicar seus dados. Imagine que essa pesquisa teve uma série de custos para ser produzida e sabemos que, no caso do Brasil, muito desses custos acabam saindo do bolso do próprio pesquisador. Depois para publicação, as revistas de maior abrangência (internacionais) cobram dos autores uma taxa – que pode chegar a 2.000 euros – para que o trabalho seja publicado. Para ter o trabalho aceito em alguma revista, o autor precisa assinar uma carta que transfere os direitos autorais do seu artigo para a revista, ficando apenas com os direitos intelectuais. Isso significa que se eu publicar um artigo em uma revista e quiser utilizar alguma figura do “meu” artigo em um livro ou uma apresentação eu não posso pois não tenho mais o direito legal sobre aquele conteúdo que eu mesmo criei. Além dos periódicos ficarem com todos os direitos do artigo eles ainda podem utilizar as figuras, tabelas e conteúdos para produzir livros didáticos e ganhar mais dinheiro às custas do trabalho do pesquisador. Esse é um ponto que incomoda muitos pesquisadores.

Há um tempo atrás os valores para publicação se justificavam pelo fato dos periódicos serem impressos e distribuídos fisicamente. Hoje em dia muito desses custos foram reduzidos sendo que as despesas de produção, impressão e distribuição não existem. Atualmente, as revistas precisam pagar apenas pela produção e manutenção de um site e um banco de dados. Eu sou a favor de que os editores e pessoas envolvidas nesses periódicos recebam pelo tempo dispendido no trabalho de comunicação com os autores e outras atividades, mas acho que a balança ainda está desequilibrada e favorece aos editores sendo que até o processo de revisão por pares é feito pelos próprios pesquisadores da área de forma gratuita.

Hoje existem movimentos contra algumas editoras, muitos pesquisadores, por exemplo, se recusam a publicar em periódicos como o Elsevier por conta dessa desproporcionalidade de distribuição de valores e direitos. Recentemente a Nature começou a disponibilizar artigos de forma totalmente gratuita e temos iniciativas como a PLoS que trabalha dentro dessa política de acesso aberto. Também existem revistas de acesso aberto que não cobram taxas para publicação de artigos. Mesmo assim, ao meu ver, quem paga pela produção científica são os próprios pesquisadores que acabam tendo vários custos associados à pesquisa e não tem o direito do acesso a outros artigos que seriam indispensáveis para o processo de produção científica.

Tem que ter muito amor mesmo…

Gostou da discussão? então clique aqui e ouça esse excelente episódio do Scicast sobre Acesso Aberto!

Será que é justo pesquisadores pagarem pelo material que vai ajudar em sua produção científica? Será que essas iniciativas ilegais como sci-hub podem fazer o mercado de distribuição científica se auto-regular e tentar buscar um ponto de equilíbrio nessa balança?

Deixe seu comentário e diga o que você acha dessa discussão!